• Roberto Kirizawa

USE A DOR PARA SE FORTALECER

Tempo de leitura: 7 minutos



A mesma dor que nos faz sofrer, também nos fortalece.

Ela dá a oportunidade de criarmos resiliência, persistência e gratidão na vida.

Hoje em dia cada vez mais vemos pessoas despreparadas para receber negativas.

Pode ser no ambiente de trabalho, social, com amigos e até familiar.

É por isso que temos tantos casos de pessoas com depressão, ansiedade e sem motivação.

Hoje vamos conversar sobre como usar os problemas e desafios que aparecem em nosso caminho para nos impulsionar e tornarmos uma pessoa melhor.

Vinculamos nossa felicidade com algo

Temos a tendência de pensar que só seremos felizes quando algo acontecer, ou quando termos alguma coisa.

E isto é terrível, pois detona com nossas possibilidades de sermos felizes, aqui e agora.

Nossa felicidade sempre está condicionada a algo.

Dessa forma, vivemos constantemente frustados e nunca satisfeirtos.

Pensamos assim:

Vou ser feliz quando tiver o meu carro.

Mas ao comprar o carro, a felicidade não dura mais que umas poucas semanas.

Aí começamos a pensar:

Vou ser feliz quando comprar minha casa.

E ralamos por muitos anos a fio, sem conseguirmos ser felizes, pois não conquistamos nosso objeto de desejo.

Só que quando finalmente conseguimos o dinheiro para dar a entrada na compra da casa, e ficamos totalmente endividados, percebemos que entramos em uma furada e em vez de ficar felizes, ficamos mais tristes do que estávamos antes.

Ficamos presos a utopias

O grande problema é que quando elegemos algo para ser o nosso ponto de desejo, não conseguimos ver mais nada.

Achamos que nossa felicidade depende totalmente da realização deste desejo.

Se não o conquistarmos, estamos fadados a ser infeliz para o resto da vida.

Só que esquecemos de avaliar vários fatores.

  1. Por que estamos querendo algo? Muitas vezes quando fazemos esta pergunta e respondemos com sinceridade, nos deparamos com algo que não gostamos. Percebemos que estamos apenas seguindo o que todos pensam. Sabe, aquela receitinha de bolo de ter carro, casa, um emprego que pague um bom salário e assim por diante? Seguimos nossas vidas dessa forma porque é a forma mais fácil. Não é necessário pensar. Basta fazer e pensar igual a todo mundo.

  2. Outra coisa importante a ser avaliada é se estamos dispostos a pagar o preço para ter algo que imaginamos que queremos. Você quer ter uma ótimo emprego que pague um ótimo salário. Perfeito. Porém, você já refletiu se está disposto a trabalhar 12 horas por dia para isso? Está disposto a abrir mão de sua vida social, de não ter fim de semana de descanso e depreciar sua saúde? Pois é… a toda ação existe uma reação. Isso é a lei da natureza e devemos compreender que ao escolher algo, temos que aceitar o lado bom e o lado ruim desta escolha.

Natureza humana e a dor

O grande problema de nunca estarmos satisfeitos faz parte de nossa natureza humana.

Agora imagine que você encontrou uma lâmpada mágica.

E que poderá ter 3 desejos realizados.

O que você vai pedir?

Talvez uma casa, um carro e dinheiro para viver o resto da vida tranquilamente, certo?

Acho que estes seriam os desejos da maioria das pessoas.

Mas pode ter certeza que depois de um tempo, nem tanto tempo assim, você encontrará um monte de defeitos para esta sua nova vida.

Começará a achar que se tornou uma pessoa muito solitária, pois não confia mais nas outras pessoas.

Afinal de contas, elas se aproximam de você apenas por causa do dinheiro.

Com a solidão, começar a sentir-se deprimido, coisa que dinheiro nenhum do mundo poderá curar, apenas você mesmo.

Sentirá que faltam estímulos para viver, pois não tem mais objetivos para serem alcançados.

E esta nossa característica humana, sempre nos faz voltar a ter a sensação de incomodo e insatisfação.

Por que funcionamos desse jeito com a dor

Agora, por que funcionamos desse jeito?

Você já chegou a se questionar isso?

A ideia básica é que isto está em nossa genética herdada por nossos ancestrais.

Imagine 2 perfis existentes na época dos homens das cavernas.

O primeiro perfil está contente com tudo.

Está satisfeito com as frutas que tem para comer, acredita na benevolência dos outros ao seu redor e adora passear à luz do sol.

O segundo perfil já é um insatisfeito por completo.

Sempre está a procura de novas possibilidades de comida, desconfia de todos que estão à sua volta e prefere se proteger nas cavernas dos predadores, saindo apenas quando é necessário.

Imaginando estes 2 perfis, podemos, com uma certa facilidade, entender qual perfil conseguiu perpetuar e transmitir seus genes para as gerações posteriores, certo?

Nós somos o resultado desta evolução.

Porém, os tempos mudaram e agora temos que conviver com essa herança genética.

O que vale de consolo é que somos muito bons em nos adaptar, qualquer que seja a situação.

Por isso, temos que usar este poder de adaptação que temos a nosso favor para nos ajustar neste novo contexto da história em que vivemos.

Crescer a partir da dor

Tudo isso foi dito para entendermos que somos seres altamente adaptáveis e evolutivos.

E o que não mata nos fortalece.

Em 1950 o psicólogo Dobrowski, um dos poloneses que participaram da resistência contra a Alemanha na II Guerra Mundial, concluiu em seus estudos que o sofrimento nem sempre resulta em mera dor.

E comenta que a maioria dos sobreviventes da II Guerra Mundial, apesar de todo sofrimento, tornaram-se pessoas melhores.

Como a lagarta que precisa passar pela dor de passar um tempo enclausurada em um casulo e depois ter que usar todas suas forças para sair ao mundo e se tornar uma linda borboleta.

De forma alguma acredito que uma guerra pode ser uma coisa boa.

Porém nos estudos de Dobrowski, percebeu-se que pessoas que passaram por grandes dificuldades conseguiram voltar:

  1. Mais fortes;

  2. Resilientes;

  3. Felizes;

  4. Agradecidos.

A sociedade atual

Atualmente, no senso comum, prevalece a ideia de que devemos criar nossas crianças sem nenhuma dor.

Elas só podem ter boas sensações o tempo todo.

E desta forma, elas perdem a oportunidade de aprender com os desafios e obstáculos naturais da vida.

A criança não pode:

  1. Repetir de ano;

  2. Ser criticada;

  3. Ser repreendida.

Mas com isso, não há a possibilidade de se:

  1. Educar;

  2. Ensinar;

  3. Dar a oportunidade de amadurecer e ser alguém melhor.

Criando as novas gerações em uma bolha damos espaço para uma sociedade doentia.

Onde ninguém saberá lidar com contradições e tudo terá que ser do jeito que se quer.

Cada vez mais teremos pessoas:

  1. Depressivas;

  2. Raivosas;

  3. Desiludidas, sem saber lidar com a realidade de que cada indivíduo pensa de forma diferente e tem seus próprios gostos e interesses.

A dor é necessária

Por isso a dor se mostra necessária ao amadurecimento.

Negar esta dor é negar nosso potencial.

Assim como a dor muscular é necessária para fortalecer o corpo, a dor emocional é imprescindível para desenvolver a resistência emocional, tão necessária para o convívio sadio em nossa sociedade.

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Muito obrigado e até a próxima.


#dor #perseverança #resiliência

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